A mente humana é uma máquina complexa capaz de processar informações e construir significados a partir delas. No entanto, nem sempre somos imparciais na interpretação dos eventos ao nosso redor. Muitas vezes, nossa percepção da realidade é distorcida por pensamentos automáticos e padrões de pensamento tendenciosos, conhecidos como distorções cognitivas.
As distorções cognitivas são como lentes que filtram nossa visão do mundo, moldando nossas emoções e comportamentos. Elas são como atalhos mentais que usamos para simplificar a realidade complexa e ambígua. Embora essas simplificações sejam úteis em certos contextos, elas também podem levar a interpretações errôneas e prejudiciais.
Existem várias formas de distorções cognitivas, cada uma com seu próprio conjunto de características e impactos. Uma das distorções mais comuns é o pensamento polarizado, também conhecido como “tudo ou nada“. Nesse padrão de pensamento, enxergamos o mundo em termos extremos, sem considerar as nuances e as possibilidades intermediárias. Isso nos leva a julgar as situações como totalmente boas ou totalmente ruins, ignorando a complexidade da realidade.
Outra distorção cognitiva frequente é a supergeneralização. Nesse padrão de pensamento, tiramos conclusões abrangentes com base em uma única experiência ou evento. Se algo de ruim acontece uma vez, acreditamos que isso se repetirá em todas as situações semelhantes. Essa generalização excessiva limita nossa visão de mundo e impede que consideremos outras perspectivas.
O filtro mental é mais uma distorção cognitiva prejudicial. Nesse caso, tendemos a focar apenas nas informações negativas, ignorando ou minimizando as positivas. Isso nos leva a ter uma visão distorcida da realidade, reforçando nossos pensamentos negativos e mantendo-nos presos em ciclos de pessimismo e desesperança.
Outra distorção cognitiva comum é a leitura mental. Nesse padrão de pensamento, assumimos que sabemos o que as outras pessoas estão pensando e interpretamos suas ações com base nessa suposição. Isso pode levar a mal-entendidos, conflitos e ressentimentos, já que não temos acesso direto aos pensamentos dos outros e nossa interpretação pode estar completamente errada.
Por fim, temos a catastrofização, uma distorção cognitiva em que sempre imaginamos o pior cenário possível. Antecipamos o fracasso, a rejeição e a tragédia, mesmo sem evidências concretas que os sustentem. Essa tendência ao catastrofismo aumenta nossa ansiedade e nos impede de aproveitar plenamente a vida, pois estamos sempre focados no medo do que pode dar errado.

Reconhecer e desafiar essas distorções cognitivas é fundamental para promover uma visão mais equilibrada e realista da realidade. A terapia cognitivo-comportamental (TCC) é uma abordagem terapêutica amplamente utilizada para lidar com as distorções cognitivas, ajudando as pessoas a identificá-las, questioná-las e substituí-las por pensamentos mais realistas e saudáveis. Além disso, técnicas de mindfulness e práticas de autocompaixão podem ser úteis no combate a essas distorções, permitindo-nos observar nossos pensamentos com mais objetividade e gentileza.
Em resumo, as distorções cognitivas são padrões de pensamento tendenciosos e distorcidos que influenciam nossa percepção da realidade. Reconhecer essas distorções e trabalhar para desafiá-las é um passo importante em direção a uma visão mais equilibrada e saudável do mundo ao nosso redor.
Referências Bibliográficas:
- Beck, A. T. (1979). Cognitive therapy and the emotional disorders. New York: Penguin Books.
- Burns, D. D. (1999). Feeling good: The new mood therapy. New York: HarperCollins Publishers.
- Greenberger, D., & Padesky, C. A. (1995). Mind over mood: Change how you feel by changing the way you think. New York: The Guilford Press.
- Leahy, R. L. (2003). Cognitive therapy techniques: A practitioner’s guide. New York: The Guilford Press.
- McKay, M., Davis, M., & Fanning, P. (2011). Thoughts and feelings: Taking control of your moods and your life. Oakland, CA: New Harbinger Publications.
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[…] melhorar os seus relacionamentos, já que a maioria falham por um excesso ”ruídos” e distorções cognitivas na […]
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[…] pressupostos chamado de esquemas. Esses esquemas não estão isolados, eles são influenciados por distorções e vieses cognitivos, que podemos chamar de “armadilhas da […]
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