Transtorno Explosivo Intermitente (TEI): Quando a Raiva se torna Incontrolável

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Olá, aqui é o Robson Lima, e hoje vou falar sobre um transtorno que afeta muitas famílias: o Transtorno Explosivo Intermitente (TEI). Você já presenciou ou ouviu falar de uma criança que, aparentemente sem motivo, teve uma crise intensa de raiva, simplesmente, destruiu objetos ou agrediu verbalmente alguém? Muitas vezes, esses comportamentos são mal interpretados, levando ao julgamento rápido de que uma criança é “mal educada” ou “problemática”. No entanto, o que está por trás dessas explosões pode ser algo muito mais complexo.

O que é o Transtorno Explosivo Intermitente?

O TEI é caracterizado por explosões de raiva desproporcionais aos eventos que as desencadeiam. Essas explosões são intensas e frequentes, podendo durar de alguns minutos até mais de uma hora. Crianças com TEI têm dificuldade em controlar suas reações emocionais e, geralmente, passam de um estado calmo para um estado de raiva extrema de maneira rápida e imprevisível.

Essas crises podem ser desencadeadas por situações cotidianas, como uma frustração pequena ou uma negativa. Para essas crianças, esses momentos geram uma explosão que parece incontrolável, com gritos, agressões físicas ou verbais, e destruição de objetos. Muitas vezes, após o episódio, a criança demonstra arrependimento, mas não consegue evitar que aconteça novamente.

Como o TEI pode afetar a família?

Para as famílias, ter uma criança com TEI em casa pode ser extremamente desgastante. As explosões de raiva não afetam apenas a criança, mas também os pais e irmãos, que muitas vezes se sentem impotentes e frustrados. Em ambientes como a escola ou atividades sociais, os efeitos podem ser igualmente desafiadores. Professores, colegas e outros adultos podem não compreender o transtorno e, sem as ferramentas adequadas, podem acabar piorando a situação.

Se não tratado, o TEI pode afetar negativamente os relacionamentos familiares, gerar um ambiente de tensão constante e até prejudicar o desenvolvimento social e escolar da criança. Outras crianças na família podem se sentir ameaçadas ou negligenciadas, já que a maior parte da atenção dos pais acaba sendo direcionada para controlar as explosões do irmão ou irmã.

Como identificar o TEI em crianças?

João, um menino de 9 anos, costumava ficar irritado facilmente. Na escola, ao ser corrigido pela professora por um comportamento inadequado, ele imediatamente entrou em uma crise, gritando, jogando seu material no chão e, posteriormente, empurrando um colega. A professora, sem saber como lidar, aplicou uma punição (advertência), o que gerou mais estresse para João, que, depois do episódio, sentiu-se arrependido, mas incapaz de evitar o que aconteceu.

Embora seja normal que crianças pequenas expressem frustração e raiva de forma mais intensa, o TEI é diferente. Ele envolve uma falta de controle muito maior do que o esperado para a faixa etária da criança. Aqui estão alguns sinais que podem indicar o transtorno:

  • Explosões de raiva recorrentes e desproporcionais– Um simples “não” pode desencadear uma reação violenta.
  • Comportamento imprevisível– As crises acontecem sem um padrão claro, deixando a família sempre em alerta.
  • Dificuldade em lidar com frustrações– A criança demonstra uma incapacidade de aceitar qualquer tipo de contrariedade.
  • Reações agressivas– Além de gritos e xingamentos, pode haver agressões físicas e destruição de objetos.

Quando uma criança com Transtorno Explosivo Intermitente (TEI) se manifesta em ambientes fora do núcleo familiar, como na escola, em atividades sociais ou esportivas, muitas vezes quem está por perto não sabe como reagir. Esse desconhecimento pode levar a uma série de reações inadequadas, como indiferença, punições severas ou até mesmo estigmatização da criança. Professores, treinadores, monitores e outros adultos que interagem com a criança precisam de uma abordagem sensível e informada para lidar com o transtorno de maneira eficaz.

O que precisa ser compreendido sobre o TEI?

Primeiramente, é fundamental entender que o TEI não é um “mau comportamento” intencional ou uma simples birra. Trata-se de um transtorno psicológico em que a criança não consegue regular suas emoções e acaba explodindo de forma desproporcional. Essas explosões não são premeditadas e, na maioria dos casos, a criança se sente mal após o ocorrido.

O que causa o TEI?

A origem do TEI é multifatorial. Fatores genéticos, neurológicos e ambientais desempenham um papel importante. Crianças que crescem em ambientes onde a violência ou a agressividade são comuns podem ter maior probabilidade de desenvolver o transtorno. Além disso, estudos sugerem que há uma disfunção na regulação dos neurotransmissores no cérebro, especialmente aqueles relacionados à impulsividade e ao controle das emoções, como a serotonina.

Como lidar com o TEI na família?

Para famílias que enfrentam esse problema, há algumas medidas que podem ser tomadas imediatamente para ajudar a lidar com o TEI e, gradualmente, melhorar a situação:

  1. Buscar ajuda profissional: A primeira medida é procurar um psicólogo ou psiquiatra que possa avaliar o caso e sugerir o melhor tratamento. A terapia cognitivo-comportamental tem mostrado bons resultados na ajuda ao controle dos impulsos e na identificação dos gatilhos que levam às explosões de raiva.
  2. Educação emocional: Ensinar a criança a nomear e entender suas emoções é essencial. Quanto mais cedo a criança aprender a identificar o que sente, melhor será sua capacidade de lidar com esses sentimentos. Atividades como contar até 10 antes de reagir ou exercícios de respiração podem ser úteis.
  3. Criação de um ambiente calmo e estruturado: Ambientes caóticos podem agravar o TEI. Estabelecer rotinas e evitar mudanças abruptas pode ajudar a reduzir os níveis de estresse da criança.
  4. Modelagem de comportamento: As crianças aprendem observando. Portanto, é importante que os adultos ao redor mantenham a calma e demonstrem maneiras saudáveis de lidar com frustrações e conflitos.
  5. Medicamentos: Em alguns casos mais graves, o médico pode recomendar o uso de medicamentos para ajudar a controlar a impulsividade e a agressividade. Porém, essa medida deve ser sempre acompanhada de psicoterapia e sob supervisão médica rigorosa.

Como lidar com o TEI no ambiente escolar ou social?

Professores, treinadores, babás ou monitores de atividades extracurriculares muitas vezes se encontram em situações desafiadoras ao lidar com crianças com TEI. Sem a compreensão adequada do transtorno, essas explosões podem ser vistas como indisciplina ou falta de limites. Isso pode levar a tratamentos inadequados, como punições excessivas, indiferença ou até exclusão social. Entenda como agir:

  1. Compreensão e empatia: A primeira coisa que qualquer adulto precisa entender é que uma criança não está “fazendo birra” ou “sendo malcriada” intencionalmente. As explosões de raiva são sintomas de um transtorno, e o julgamento rápido ou a indiferença só agravam o quadro. Ao invés de reagir com punições severas, é importante se aproximar com empatia, tentando entender o que desencadeou aquela crise.
  2. Cuidado com a disciplina reativa: Muitos professores e cuidadores têm o reflexo de aplicar punições rigorosas após uma explosão. No entanto, em casos de TEI, o foco deve estar em ajudar a criança a regular suas emoções e identificar os gatilhos, em vez de apenas castigar. Intervenções baseadas em diálogos após o episódio, ao invés de reações impulsivas, são fundamentais.
  3. Criação de um ambiente seguro e previsível: Crianças com TEI tendem a reagir pior a ambientes caóticos ou imprevisíveis. Nas escolas ou nas atividades, estabelecer uma rotina clara e ambientes calmos pode ajudar a reduzir o número de explosões. Por exemplo, comunicar mudanças antecipadamente, reduzir estímulos estressantes e estimular a criança a ter pausas em momentos de estresse pode ser muito eficaz.
  4. Estratégias práticas para o dia a dia: Ensinar a criança a considerar seus sentimentos antes que a raiva se instale é essencial. Técnicas de respiração, contagem regressiva ou mesmo ter um “espaço seguro” para ir quando você se sentir frustrado podem ajudar. Além disso, fornecer reforços positivos quando a criança consegue controlar suas emoções é uma maneira de criar comportamentos mais saudáveis.

É necessário ainda ter:

  • Educação sobre o transtorno: Entender o que é o TEI é o primeiro passo. Uma formação básica sobre o tema permite que professores e cuidadores saibam como intervir com precisão durante uma crise.
  • Paciência e calma: Ao invés de reagir impulsivamente durante uma explosão, é importante manter a calma. Gritar, punir ou tentar “disciplinar” uma criança durante uma crise pode apenas aumentar a intensidade do episódio. Manter um tom de voz calmo e direcionar a criança para uma atividade que a tranquilize pode fazer a diferença.
  • Colaboração com a família e profissionais: É fundamental que os educadores e responsáveis ​​mantenham uma comunicação constante com a família e com os profissionais de saúde que acompanham a criança. Dessa forma, é possível alinhar estratégias e instruções que funcionem tanto em casa quanto na escola ou no ambiente social.
Exemplo prático:

Ana, uma menina de 7 anos com TEI, teve uma crise durante uma aula de educação física. Ela não conseguiu realizar uma atividade e, em vez de tentar novamente, entrou em uma explosão de raiva, empurrando colegas e gritando com o professor. O treinador, consciente do transtorno, agiu de maneira calma, levou os demais alunos e deu a Ana um momento para se autorregular emocionalmente, sem aplicar qualquer conduta reativa imediata. Após uma crise, ele conversou com ela sobre o que havia acontecido e a incentivou a tentar uma atividade novamente em um momento posterior. Essa atitude evitou que a situação se agravasse e deu a Ana a oportunidade de se autorregular.

Conclusão

O Transtorno Explosivo Intermitente é uma condição séria que pode afetar profundamente o bem-estar familiar e o desenvolvimento da criança. Contudo, com a ajuda adequada, é possível ensinar a criança a controlar suas emoções e melhorar suas relações interpessoais. O importante é que a família busque orientação o quanto antes e não tenha medo de pedir ajuda.

Se você identificou sinais de TEI em uma criança da sua família, não hesite em procurar ajuda especializada. O tratamento pode fazer toda a diferença na vida da criança e de todos ao seu redor.


Referências

American Psychiatric Association. (2013). Diagnostic and statistical manual of mental disorders (5th ed.). Washington, DC: American Psychiatric Publishing.

Kessler, R. C., Coccaro, E. F., Fava, M., Jaeger, S., Jin, R., & Walters, E. (2006). The prevalence and correlates of DSM-IV Intermittent Explosive Disorder in the National Comorbidity Survey Replication. Archives of General Psychiatry, 63(6), 669-678.

Coccaro, E. F., & McCloskey, M. S. (2019). Intermittent explosive disorder: Epidemiology, pathophysiology, and management. CNS Drugs, 33(2), 1-13.


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